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Erasmo Angelo - Toque de Primeira
 
28/05/2016 - Futebol mineiro provoca arrepios
 

Os torcedores dos dois grandes de Minas andam ressabiados; assustados com as performances de seus times.

Realmente, dá pra assustar.

O Atlético,que uma parte da mídia insistia em apontar como favorito em tudo na temporada 2016, segue como decepção. O Cruzeiro está mais do que isto. É um horror.

O time atleticano já disputou neste ano três competições oficiais e sucumbiu em todas.

Saiu cedo na Primeira Liga. Despediu-se da Libertadores nas quartas de final em pleno Horto. E não agüentou nem mesmo o frágil Campeonato Mineiro perdendo as finais para o modesto América.

Agora, resta ao Atlético o Brasileirão, no qual há tempo de recuperação por ser uma competição longa e também a Copa do Brasil, sempre uma incerteza por causa do mata-mata.

Nem mesmo o Horto causa mais pavor aos adversários.  O Independência deixou de assombrar e por lá já nem se ouve mais o bordão “Caiu no Horto, ta morto”.

Só neste 2016 o Atlético contabilizou sete fracassos no Independência.

Jogou três vezes contra  o América pela Estadual e não ganhou nenhuma. Perdeu lá dentro para seu maior rival, o Cruzeiro, o que já havia acontecido no ano passado, pelo Brasileirão.

Teve mais: Levou de 4 do modestíssimo Tricordiano, pelo Mineiro. Foi eliminado na Libertadores pelo S. Paulo e neste meio de semana foi goleado pelo Grêmio.

Os números da campanha atleticana neste  2016 não lhe são nada confortáveis. Dos 31 jogos que disputou saiu derrotado nove vezes e empatou oito. Venceu só 14. É pouco, muito pouco para quem despontava com tanto favoritismo na temporada.

Na mídia, alguns companheiros gostam de justificar a queda do Atlético ilustrando suas análises com a constante desculpa da “ausência de titulares”, como assim foi o tema durante e após a goleada diante do Grêmio.

O curioso nessas desculpas por ausência de jogadores (algumas delas, claro, relevantes) é que quando o time atleticano escalou seus reservas contra o Santos, na primeira rodada e venceu por 1 a 0, estes mesmos analistas não cansaram de exaltar a vitória sobre o campeão paulista como “fruto da grande qualidade do elenco atleticano”.

Mas, o que tais especialistas pouco fazem é externar críticas construtivas para mostrar ao torcedor realidades sobre as condições técnicas no grupo atleticano (e mais ainda do Cruzeiro) e a real qualidade do elenco.

Se os números atleticanos, como se mostrou acima, são ruins (e os do Cruzeiro são péssimos), é bom deixar claro que tais números foram produzidos pelo grupo como, por exemplo, por  um Marcos Rocha quase sempre atabalhoado e em setor vital que se transformou numa avenida para os rivais.

E mais: por um Leonardo Silva que já teve momentos brilhantes e hoje vê a carreira se aproximando do fim.

Por jogadores úteis, mas apenas de razoável técnica como Erazo, Rafael Carioca, Cazares, Dátalo, Lucas Prqatto. Ou Robinho, já sem o futebol cujo esplendor os anos já levaram embora.

É preciso levar em conta que fica difícil ganhar jogo quando se escala uma zaga formada por Edcarlos e Tiago.

Como também fica difícil praticar futebol coletivo de qualidade com Carlos Eduardo, Leandro Donizete, Patrick, Pablo, Carlos César, Clayton, Hyuri, Carlos, Júnior Urso, Capixaba.

UM SOFRÍVEL CRUZEIRO – O futebol mineiro conta com três clubes na Série A do Brasileiro. Cada um fez três jogos. O saldo, por enquanto, é melancólico.

Nestes nove jogos, o futebol mineiro conta somente com uma vitória, a do Atlético sobre o Santos.  Foram cinco derrotas e três empates.

Neste volume negativo sobressai o Cruzeiro, um dos grandes do futebol brasileiro e que há um curto tempo, há um ano e meio, conquistava com extremo brilhantismo o título de tetracampeão nacional.

Hoje, ou mais precisamente, nesta temporada, o grande Cruzeiro faz sua torcida tremer de medo ante a perspectiva de um fiasco que vai se desenhando como extremamente grave.

Já no ano passado, após viver sob ameaça de rebaixamento por longas 28 rodadas  no Brasileirão e da qual foi salvo pela capacidade do técnico Mano Menezes, o Cruzeiro deveria ter assumido aquele fiasco como uma lição.

O alerta de 2015, contudo, não foi levado em conta por sua diretoria.

 Ao contrário, ela cuidou de agravar ainda mais os problemas cruzeirenses para 2016 se metendo em tremendos equívocos, dos quais os mais graves foram contratações de jogadores de baixo nível técnico e a transformação de um auxiliar sem nenhuma experiência, o ex-jogador Deivid, em treinador da equipe.

E o que se viu  – e ainda se vê – em campo é, seguramente, um dos piores times armados pelo Cruzeiro nos últimos 20 anos.

Um claro sintoma da gravidade do problema cruzeirense  é quando se vê o clube querer transformar um jogador de incrível mediocridade técnica, como Allano, em estrela da equipe. Bem secundado por inutilidades futebolísticas como Sánchez Miño, Matias Pizano, Gino e outros mais.

A nova aventura da diretoria é apostar suas fichas no treinador português Paulo Bento, que pouca coisa sabe sobre o que é o futebol brasileiro.

Bento pegou o “bonde” no meio do caminho e não sabe qual o seu destino.

Mas uma coisa ele pode ter certeza: se pretende implantar na Toca o estilo europeu de jogar, no qual tal estilo só é possível de ser executado com jogadores (em sua quase maioria) de certa qualidade, tal tarefa, pode-se prever antecipadamente, dificilmente terá êxito.

Vai ser impossível ao treinador Bento fazer Bruno Viana, Sánchez Miño, Bruno Rodrigues, Leo, Romero, Douglas Coutinho, Matias Pizano, Allano, Cabral, Manoel “Chutão”, Mariel, Gino, Alex, Rafael Silva, Riascos e outros mais jogarem  futebol à européia.  Esta turma aí não está agüentando jogar nem “pelada”  à brasileira.