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Prefeitura firma parceria com Ministério da Igualdade Racial para divulgação de campanha de conscientização no Carnaval – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos e Igualdade Racial (SEDHIR) e a Riotur, firmou uma parceria com o Ministério da Igualdade Racial (MIR) para alavancar a divulgação da segunda edição da campanha “Sem Racismo o Carnaval Brilha Mais”. A iniciativa visa combater a discriminação racial durante o evento e destacar a relevante contribuição da cultura negra para a realização da maior festa popular do mundo. Serão distribuídos leques e adesivos durante o pré-carnaval e nos dias de folia para conscientizar a população sobre a prevenção e o enfrentamento de práticas racistas, além de incentivar denúncias de casos de injúria racial e violência. O material educativo será distribuído no Carnaval de rua, em blocos, bailes, ensaios técnicos, quadras e desfiles de escolas de samba, além da própria Sapucaí.

– Estamos elaborando um roteiro de locais e eventos para fazer a distribuição desses materiais. Já temos uma parceria bem consolidada com a Liga RJ e queremos ampliar convidando a Liesa e as organizações dos blocos de rua e dos desfiles da Intendente Magalhães. Também pretendemos rodar os camarotes da Sapucaí e articular a divulgação nos megablocos tradicionais, que reúnem milhões de pessoas nas ruas do Rio. Nosso objetivo é alcançar e conscientizar o maior número possível de pessoas sobre a importância do combate ao racismo. Essa é uma pauta fundamental não só durante o Carnaval, mas o ano inteiro – explicou o secretário municipal de Direitos Humanos e Igualdade Racial, Edson Santos.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, disse que o respeito precisa prevalecer e ressaltou a importância dessas iniciativas para o fortalecimento de uma formação antirracista junto aos estados, que sirva para o ano todo.

– Lançamos a campanha para cuidar e respeitar as mãos negras de quem faz acontecer e também se diverte no maior espetáculo da Terra. O racismo é sistêmico e não pausa no Carnaval, mas somos o povo que trabalha e que resiste para que nosso país se reconheça nas homenagens a personalidades, origens e tradições afro-brasileiras dentro e fora das festas. Carnaval é arte, resistência e resiliência.

O principal diferencial da campanha na cidade do Rio é a parceria firmada com a Liga RJ, instituição que representa as escolas de samba da Série Ouro (Grupo de Acesso). Segundo o presidente da Liga RJ, Hugo Júnior, a entidade vai distribuir o material em ensaios técnicos e apresentações na Sapucaí. No dia 13 de fevereiro, quando começa a competição, integrantes do MIR desfilarão com uma faixa, distribuindo leques e adesivos, ao lado de ativistas, lideranças e pessoas ligadas às escolas de samba.

– O Carnaval é o nosso maior movimento cultural, momento onde todos os povos se encontram e o racismo não pode fazer parte dessa festa – declarou Hugo Júnior.

Para o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da SEDHIR, Marcelo Santana, é fundamental descentralizar as ações de combate ao racismo.

– Fechar essa parceria com a Liga RJ vai permitir que a gente consiga se aproximar do povo trabalhador e das comunidades que integram as escolas de samba para levar a campanha até o chão dos territórios.

Outro local de divulgação será o Circuito Preta Gil, criado pela Prefeitura do Rio em 2025, na Rua 1º de Março, em homenagem à cantora, que morreu em decorrência de um câncer após anos de luta pela vida. O local concentra alguns dos maiores megablocos da cidade. Esta será a primeira vez que os desfiles serão realizados sob a nova denominação do circuito, consolidando um espaço que Preta Gil ajudou a transformar em símbolo do carnaval de massa no Centro do Rio.

 

O secretário de Combate ao Racismo do ministério, Tiago Santana, lembrou que ofender uma pessoa com base na cor da pele é um ato de injúria racial. Ele advertiu que fantasias estereotipadas e estigmatizantes, como a de “nega maluca” e a de “indígena”, não podem mais ser aceitas.

– Não cabem mais fantasias depreciativas sobre as culturas negra e indígena, religiões afro, personagens negras, muito menos mulheres negras. Não é esse tipo de cultura de Carnaval que o brasileiro quer.

Tiago Santana disse que o MIR pretende dar visibilidade à construção do Carnaval pelas mãos das pessoas negras, que fundaram as primeiras escolas.

– Acontece hoje um processo de embranquecimento, de apagamento da presença negra no carnaval. Então, quando a gente combate o racismo, também enfrentamos essa desestruturação interna.

Além disso, o MIR quer incentivar as vítimas a registrarem as denúncias por meio do Disque 100 ou pelo e-mail ouvidoria@igualdaderacial.gov.br.

– Sinalizaremos para aqueles eventuais racistas que eles não são invisíveis e que faremos denúncias e pressão para que, caso cometam algum ato criminoso, prestem contas e sejam punidos – frisou Tiago.

A campanha foi lançada no dia 12 de janeiro pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, no bar Baródromo, no Maracanã, na Zona Norte. O evento contou com as presenças da ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Macaé Evaristo; da deputada federal Benedita da Silva; do secretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial do Rio, Edson Santos; do secretário de Combate ao Racismo do MIR, Tiago Santana; e do carnavalesco Milton Cunha.

Categoria:

  • 22 de janeiro de 2026
  • Marcações: campanha de conscientização Carnaval direitos humanos Igualdade Racial parceria Prefeitura do Rio

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