Diante do crescimento significativo da procura por fórmulas especiais, a Prefeitura de João Pessoa, através da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), instituiu um novo fluxo de cuidado que garantirá assistência multidisciplinar às crianças diagnosticadas com Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). Os atendimentos tiveram início nesta quarta-feira (4), no Hospital Municipal do Valentina (HMV), local onde funcionará o serviço de referência, o ‘Ambulatório APLV’.
O secretário de Saúde de João Pessoa, Luis Ferreira, explica que a instituição do novo fluxo é fundamental para que a SMS possa compreender se existe, de fato, um aumento real dos casos de Alergia à Proteína do Leite de Vaca, ou se parte dessa demanda decorre de diagnósticos imprecisos, excessivos ou sem a devida confirmação clínica. “Essa reorganização nos permite qualificar o acesso, garantindo que as crianças que realmente necessitam recebam o insumo de forma adequada, segura e no tempo certo, ao mesmo tempo em que fortalecemos a responsabilidade no uso dos recursos públicos”, destacou o médico.
“Além disso, a atuação de uma equipe multiprofissional especializada amplia o olhar sobre a criança, permitindo avaliar não apenas os aspectos clínicos, mas também os impactos nutricionais, gastrointestinais, imunológicos, psicológicos e familiares envolvidos na APLV. Com isso, avançamos para um modelo de cuidado mais integral, centrado na criança e na família, que vai além da simples dispensação da fórmula e reafirma o compromisso do SUS com uma assistência qualificada, humanizada e baseada em critérios técnicos”, complementou o secretário.
Inicialmente, o primeiro grupo a ser atendido pelo ambulatório será o de crianças que já completaram dois anos de idade. Paralelamente, o atendimento das crianças dentro da faixa etária prevista no protocolo do Ministério da Saúde (0 a 24 meses) continuará sendo analisado e organizado conforme as diretrizes vigentes.
Para Franscislayne Leite, mãe de João Guilherme, de 2 anos e 8 meses, o novo atendimento foi um alívio. “Infelizmente, por ele ter passado dos dois anos, paramos de receber o leite no final do ano passado, mas infelizmente ele segue precisando, então, quando recebemos a ligação da Secretaria de Saúde para que ele passasse por uma nova avaliação foi muito bom. Passamos pela médica e pela nutricionista, vamos refazer uns exames, e já estou com a data de retorno marcada. Estou muito confiante na assistência nova, pode ser algo pequeno para quem vê de fora, mas para a gente que tem o filho com essa condição, é essencial”, comentou a professora.
Outro paciente atendido pelo ‘Ambulatório APLV’ foi Ricardo Júnior, de 2 anos e 7 meses. Para sua mãe, a contadora Niedja Porfírio, o novo fluxo já está trazendo benefícios. “Fiquei muito feliz com a possibilidade da continuidade da assistência pela Prefeitura, mesmo ele passando da idade que o Ministério da Saúde prevê. Eu sei que em muitos casos a alergia é passageira, mas em outros, infelizmente é algo contínuo e é o que está aparentando ser a dele, o que gera um custo muito alto pois a formula é cara. Além disso, gostei bastante do atendimento ser aqui no Hospital Valentina, por ser um local que é especialista em atender crianças. Isso faz toda a diferença no atendimento”, elogiou.
À medida que o serviço for consolidado, os fluxos serão ampliados e ajustados, sempre em alinhamento com o protocolo nacional, garantindo segurança clínica, equidade no acesso e sustentabilidade do sistema.
Serviço – O ‘Ambulatório APLV’ da SMS funciona no Hospital Municipal do Valentina, referência no atendimento infanto-juvenil. Os atendimentos do serviço acontecerão às segundas e quartas-feiras, conforme agendamento prévio com a equipe multiprofissional.
“O ambulatório de APLV chega para cuidar não apenas da dieta, mas da segurança alimentar e do crescimento saudável da criança. Nosso objetivo enquanto hospital é transformar o medo da reação alérgica em conhecimento e cuidado preventivo, dando o suporte técnico que essas famílias precisam com uma equipe multidisciplinar que permitirá um diagnóstico preciso, algo fundamental para garantir que a criança alérgica cresça com segurança e sem carências nutricionais”, destaca a diretora-geral do HMV, Tânia Menezes.
O Hospital Municipal do Valentina está localizado na Rua Mariângela Lucena Peixoto, no bairro Valentina de Figueiredo.
Fluxo – As crianças com sintomas sugestivos de APLV devem passar por atendimento inicial na unidade de saúde da família (USF) de referência, que dará os encaminhamentos necessários para o atendimento especializado que fará o diagnóstico e inserção no protocolo de referência para o caso.